domingo, 31 de julho de 2011

A Química na Arte XIV


Destilando
Tapete de Arraiolos, 191x120 cm

Isabel Carmona



Primeiro a tela                                       Primeiro a intalação de vidro
Depois a lã                                            Depois o líquido
Com a agulha entrelaça-se a lã na tela     Com a chama aquece-se o líquido na instalação
Nó a nó, ponto cruzado oblíquo                Gota a gota, temperaturaq constante
compassadamente                                 devagar

Vai-se formando o tapete.

sábado, 30 de julho de 2011

Bacalhau - a sua conservação têm muita química...

Desde civilizações muito antigas que a salga é usada para conservar peixe e outros alimentos perecíveis. Durante o processo de salga o peixe é colocado entre camadas de sal, começando este por se dissolver na humidade da sua superfície. 

Cria-se então uma diferença de concentrações em sal dentro do peixe e no seu exterior, levando à saída de água dos seus tecidos musculares, de modo a equilibrar esta diferença, e o peixe vai ficando seco e salgado. Este processo é no final reforçado pela secagem, posterior à salga, que vai retirar ainda mais água, aumentando o teor em sal. 

(seca natural)

Durante a salga, ocorrem alterações químicas das moléculas das células: as proteínas do peixe, por exemplo, começam a coagular e o peixe perde a sua opalescência. Inicialmente o peixe também desenvolve, através das suas próprias enzimas e da sua flora microbiana, um sabor diferente e agradável. Quando a concentração de sal aumenta muito, a actividade das enzimas das células do peixe cessa, assim como a dos micróbios presentes, incluindo os responsáveis pela degradação do peixe, que deixam de se poder desenvolver. E isso vai aumentar a sua durabilidade.


Um dos peixes mais usados em salga é, sem dúvida, o bacalhau. Um dos motivos prende-se com o facto de ser pescado em mares longínquos e, portanto, ter de fazer grandes viagens até chegar ao local de consumo. De facto, como há uns bons anos não havia frigoríficos nos barcos, este era o único processo de o conservar. Por outro lado, como o bacalhau tem um teor de gordura muito baixo, é mais fácil uma boa conservação, pois não há o problema da sua gordura rançar, como acontece com peixes mais gordos.

Imagens de: http://www.grupeixe.pt/processo.html

quinta-feira, 28 de julho de 2011

A nossa química

O corpo humano é uma comunidade de cerca de 100 triliões de células envolvidas numa rede de processos químicos complexos e que contêm traços de todos os elementos químicos.O corpo de um adulto tem cerca de 60-55% de água (H2O), assim os elementos mais abundantes são o hidrogénio e o oxigénio, mas existem pequenas quantidades de elementos exóticos como o estrôncio e o urânio nos nossos ossos e ouro no fígado.

Um dos elementos químicos mais importantes do corpo é de carbono. É o principal componente de uma enorme variedade de moléculas diferentes que compõem as nossas células. A maioria dos tecidos do nosso corpo são formados a partir de amino-ácidos. Há 22 amino-ácidos diferentes envolvidos na química humana. Oito amino-ácidos são essenciais na nossa dieta, o corpo não pode produzi-los. Os amino-ácidos são as "peças" que se combinam para formar a estrutura base das diferentes proteínas que formam e fazem trabalhar as nossas células.


As proteínas são as máquinas moleculares que digerem os alimentos, combatem infecções, constróiem órgãos e movem músculos.Elas constituem a estrutura das células e tecidos, coordenam as suas actividades, e "orientam" as reacções químicas. As proteínas são essenciais para a vida.

As enzimas são proteínas que fazem trabalhos úteis por todo o corpo. As enzimas são catalisadores biológicos que facilitam determinadas reações químicas, aproximando as moléculas. O modo como a energia é liberada a partir da glucose para ser usada pelas nossas células depende da acção das enzimas.

O sangue é uma "sopa" química composta por uma mistura de células, nutrientes, hormonas, agentes de coagulação e resíduos num líquido aquoso chamado plasma. O oxigénio é transportado por todo o corpo no sangue, graças à metaloproteína hemoglobina.O ferro na hemoglobina torna as células do sangue vermelhas e cada molécula de hemoglobina contém 4 átomos de ferro, cada um capaz de se ligar a uma molécula de oxigénio.



Uma substância química fundamental do nosso corpo é o DNA (ácido desoxiribonucleico) - a molécula genética. O DNA é o livro de instruções para a construção das diferentes partes de uma célula e, em último caso do corpo. As cadeias de DNA estão organizadas na forma de uma escadote torcido chamado de "hélice dupla". Os degraus do escadote são construído apenas a partir de quatro sub-unidades constituídas por pares de 4 bases diferentes e produzem um padrão que armazena toda a informação genética (genes) necessários para formar uma nova pessoa e criar uma nova vida. Mais de 3 biliões de pares de bases formam o genoma humano - conjunto completo de genes para um ser humano.



As cadeias de DNA são tão pequenas, que poderiam caber 5 milhões delas através do buraco de uma agulha, mas se colocados topo com topo e desenroladas, o DNA de todas as suas células permitiria ir ao Sol e voltar 400 vezes!

Adaptado de: http://www.rsc.org/images/ChemistryCommunity_tcm18-47986.pdf

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Hoje o Calendário leva-nos a Janeiro!

Deixe-se levar até Janeiro e aprenda mais sobre as cores!

The Chemistry Calendar for the 

International Year of Chemistry 2011 

 

Janeiro

terça-feira, 26 de julho de 2011

Uma vida mais saudável

As primeiras substâncias químicas usadas para tratar doenças foram extraídas de plantas - os antigos egípcios usaram a dedaleira como um medicamento para o coração. Hoje o medicamento anti-cancro Taxol ® obtido das árvores de Teixo do Pacífico. Outros medicamentos modernos, tais como o antibiótico penicilina, são baseados em compostos químicos encontrados na natureza.


A química também permite produzir os novos medicamentos fabricados pelo Homem. Seja reproduzindo moléculas encontradas na natureza,por vezes adaptando ou melhorando as propriedades da substâncias químicas naturais, ou produzindo moléculas novas com propriedades para curar doenças anteriormente fatais.

A química têm ajudado a controlar ou erradicar muitas doenças. A química do nosso corpo é extremamente complexa. Químicos e bioquímicos estão continuamente a melhorar nossa compreensão de como o corpo funciona. Novos medicamentos para combater doenças difíceis, como a asma e a doença de Alzheimer, ou novos desafios, tais como a SIDA, requerem novas moléculas - nova química.

O diagnóstico preciso das doenças depende da química analítica moderna. O sangue e a urina podem ser analisados com bastante detalhe. Os equipamentos para obter imagens de ressonâncias magnéticas de todo o corpo usam tecnologia desenvolvida originalmente para investigação em química.



A cirurgia moderna não é mais uma situação de ameaça à vida graças aos anestésicos, analgésicos, antibióticos e aos níveis elevados de higiene médica possível devido aos produtos químicos de limpeza modernos. Também são resultado da química os pontos absorvíveis e outros materiais curativos biodegradáveis que tornam as estadias em hospital mais curtas e a recuperação mais confortável.

Muitos medicamentos tiveram um grande impacto no nosso estilo de vida. A pílula anticoncepcional teve um enorme impacto social, assim como outros medicamentos que permitem que pessoas com doenças crónicas graves possam viver uma vida quase normal. Mas o maior impacto da química na saúde está relacionado com a água potável "na torneira" em cada casa. A química limpa e purifica a água - e água limpa significa boa saúde.

Adaptado de: http://www.rsc.org/images/ChemistryCommunity_tcm18-47986.pdf

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Um calendário muito interessante!

Por aqui propusemo-nos a colocar um post por dia neste Ano Internacional da Química. Outros, na Suécia, propuseram-se fazer um calendário. Ou seja, um filme por mês sobre um dado tema, relacionando a química com uma variedade de outras áreas do nosso quotidiano.

Só recentemente os descobrimos, mas gostámos tanto que não podemos deixar de chamar a atenção para eles. Mais vale tarde que nunca...

Hoje deixamos aqui o filme sobre o calendário!

The Chemistry Calendar for the 

International Year of Chemistry 2011 

 


e prometemos que não vamos demorar muito até "recuperar os vídeos perdidos"!

domingo, 24 de julho de 2011

A Química na Arte XIII



Os mensageiros
Tríptico, óleo sobre tela, cada 80x80cm

Leonilde Moreira


Estas telas inspiram-se em imagens obtidas quando se quantificam os RNA mensageiros presentes em células/organismos usando microarrays de DNA. Cada quadrado representa um gene. As tonalidades escuras representam genes que estão "inactivos". As tonalidades verde, amarelo, vermelho, indicam genes "activos" para os quais é possível medir os níveis de mensageiros.

sábado, 23 de julho de 2011

O Colesterol não é tão mau como o pintam!

O esteróide mais abundante no corpo humano, e o mais importante é o colesterol.

É um componente fundamental das membranas celulares e é ainda o composto a partir do qual o nosso organismo sintetiza outros compostos, tais como as hormonas sexuais, os ácidos biliares e a vitamina D.

Devido a se ter estabelecido uma correlação entre níveis altos de colesterol no sangue e a ocorrência de doenças como a aterosclerose, muitas pessoas vêem o colesterol quase como que um veneno. No entanto, o colesterol não só não é um veneno, como é mesmo essencial para a vida humana. Sem ele, nós morreríamos. Felizmente é difícil tal acontecer, pois, mesmo que o colesterol fosse completamente eliminado da dieta, o nosso fígado produziria suficiente para as necessidades do nosso organismo. 

É sensato ter cuidado para que os níveis de colesterol no sangue não ultrapassem valores considerados normais, mas que ele não é apenas o "mau da fita", isso não é! Muito do colesterol ingerido e produzido pelo fígado é usado pelo organismo para produzir outras moléculas indispensáveis para o seu bom funcionamento. Façamos-lhe justiça, pois sem ele não vivíamos!

quinta-feira, 21 de julho de 2011

A Beleza da Química


Cheire uma flor - o aroma é química; veja uma flor - as cores são química; toque numa flor - a estrutura delicada das pétalas é química.

(Frase adaptada de:  Chemistry in our community)

terça-feira, 19 de julho de 2011

Fatos de banho que batem recordes

Durante os Jogos Olímpicos de Pequim em 2008 foram batidos 14 recordes mundiais na natação. Em todos os casos, excepto num deles, os nadadores usavam fatos de banho especiais cujo desenvolvimento envolvia a integração de um conjunto de conhecimento teórico de mecânica dos fluidos, ciência dos materiais, fisiologia e psicologia.

Tal levou a que se compreendesse a importância decisiva do fato de banho na performance do nadador e se investisse ainda mais no seu aperfeiçoamento. De tal forma que, em consequência desse desenvolvimento, poucos meses depois, no Campeonato Mundial de 2009 em Roma, se voltaram a bater uma série de recordes mundiais.

Há dois aspectos importantes na forma de actuar destes fatos de banho - a influência na postura e na resistência ao movimento.

Os fatos de banho são fabricado com um material extremamente compressivo que mantém o nadador numa postura hidrodinâmica ideal. Como o nadador não precisa de usar os seus músculos para manter essa postura, pode direcionar mais da sua energia para a sua propulsão através da água. Essa compressão do processo, por outro lado, também reduz a quantidade de água que fica presa no fato de banho e a "oscilação" da pele, factores estes que contribuem para aumentar a resistência à deslocação na água.

O material de que são fabricados os fatos de banho é ainda muito hidrofóbico (repele a água) isto faz com que flutuabilidade aumente e diminui ainda mais a resistência ao movimento.

O desenvolvimento destes fatos de banho exigiu a integração de conhecimento de várias áreas da ciência, em que a química teve certamente um papel muito importante no desenvolvimento dos materiais utilizados.

(imagem DAQUI )

Em consequência da utilização destes "super - fatos de banho " em 18 meses bateram-se 135 recordes mundiais de natação.Por isso o seu uso começou a causar alguma polémica e discute-se a hipótese de os proibir em competição.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Por vezes a química permite melhorar o que a natureza nos dá


Na figura está uma pintura a óleo de 1614 do pintor holandês Govaert Flinck. Na situação representada, só a parte da direita está envernizada . tendo para isso sido usado como verniz uma resina natural.


Nesta imagem a pintura já está completamente envernizada, só que para envernizar a metade esquerda foi usada uma resina sintética. Esta decisão foi tomada com objectivos bem determinados.

A pintura inicialmente foi certamente envernizada pelo seu autor com uma resina natural, o objectivo não seria tanto a protecção, mas mais fazer com que as cores ficassem mais saturadas, a pintura ficasse mais escura e mais brilhante. Infelizmente, ao longo do tempo, o verniz deteriorou-se  - tornou-se mais amarelado, rachou e ficou mais nebuloso. Por outro lado, por causa da oxidação e outras reações químicas, o verniz ficou mais insolúveis e difícil de remover em trabalhos de conservação.
 

Reaplicar um verniz natural só iria repetir o ciclo de degradação, pois o revestimento voltaria a deteriorar-se com a idade. Este era um problema comum nos trabahos de conservação, cuja resolução envolveu o trabalho de químicos que desenvolveram e testaram novos materiais que ajudem os conservadores a preservar obras de arte.

Há várias décadas, a indústria química criou uma infinidade de polímeros sintéticos que ficaram amplamente disponível e que se acreditava serem mais estáveis ​​do que as resinas naturais. Alguns destes foram usados por conservadores no seu trabalho antes de haver uma boa compreensão científica da forma como essas  resinas sintéticas funcionariam com materiais de arte e se comportatiam ao longo do tempo. Acabou por se concluir que muitas delas também estavam sujetas a processos auto-oxidativos e outras reacções que faziam com que ao longo do tempo fosse cada vez mais difícil removê-las. Anos mais tarde foram desenvolvidas outras resinas que não tinham este problema, mas também não tinham tão boas característica ópticas como as resinas naturais. 


Seguiu-se então uma nova linha de investigação em que o objectivo principal era produzir resinas de baixa viscosidade e baixo peso molecular, como é o caso das resinas naturais, e que tivessem as vantagens destas, mas não os seus inconvenientes. Finalmente tal foi aparentemente conseguido.com a vantagem da resina sintética obtida ser ainda solúvel em solventes menos tóxicos que a natural e assim melhorar o trabalho dos conservadores.
 
Numa colaboração entre o responsável pelo desenvolvimento desta resina - E René de la Rie, cientista do Metropolitan Museum of Art de New York - e Mark Leonard, responsável pela conservação de pinturas do J. Paul Getty Museum em Los Angeles, foi decidido fazer uma experiência com a pintura de Flinck acima. Metade dela foi envernizada com a resina natural e a outra metade com a resina sintética desenvolvida por de la Rie, de forma a comparar as propriedades ópticas e o comportamento com o envelhecimento das duas resinas.

Depois da aplicação as duas resinas tinham aparências tão idênticas que vários conservadores não conseguiram distinguir uma resina da outra.

Fonte: http://pubs.acs.org/cen/coverstory/7931/7931art.html

domingo, 17 de julho de 2011

A Química na Arte XII


(imagens retiradas DAQUI )

ALQUIMIA
Joalharia
Valentim Quaresma

Para ver mais:
http://fashionheroines.blogspot.com/2011/03/mude-valentim-quaresma-exhibition.html
http://www.zootmagazine.com/2011/05/10/until-28th-may-valentim-quaresma-exhibition-lisbon/
http://maisonchaplin.blogspot.com/2011/05/valentim-quaresma-alchemy-jewelry.html

sábado, 16 de julho de 2011

Uma molécula muito saborosa!

Já por aqui temos dito que a química inspira os artistas... mas não só... também os chocolateiros. Neste caso Pierre Marcolini.


(Teobromina - uma moléculas existentes no chocolate com propriedades estimulantes)


Já agora, uma curiosidade! 

Enquanto nós humanos conseguimos “quebrar” e excretar a teobromina, de modo que ela não se acumula no nosso organismo. Nos cães e gatos, ela acumula-se e rapidamente atinge concentrações tóxicas. De facto quantidades não muito grandes de chocolate podem intoxicar gravemente estes animais, provocando sintomas como taquicardia, excitação, distensão abdominal, espasmos musculares, vómitos, diarreia, aumento no consumo de água e da temperatura. Nalguns casos a ingestão de chocolate pode mesmo ser fatal.
Definitivamente, chocolates e animais de estimação não devem se misturar!

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Uma anedota só para químicos

Por que é que um urso branco se dissolve em água?  

Porque é polar.


Porque queremos que esta não seja uma anedota só para químicos, aqui fica uma explicação.

Simplificando bastante, pode dizer-se que quando numa molécula  há uma zona com predominância de carga positiva e outra com carga negativa, essa molécula é polar.
Isso acontece na molécula de água - ela é portanto uma molécula polar.


Acontece que compostos polares “gostam” de compostos polares e são miscíveis com eles e compostos não polares “gostam” de compostos não polares e são miscíveis com eles.
Portanto, substâncias cujas moléculas são polares, dissolvem-se na água (sal, açúcar...) e aquelas cujas moléculas não são polares, não se dissolve, (gordura).
Um urso branco é um urso polar... Brincando com o significado de polar e assumindo neste caso o que temos vindo a referir, ele só pode mesmo ser solúvel em água...  


Fizemo-nos entender?  A anedota já não é só para químicos?

quinta-feira, 14 de julho de 2011

A função de um cientista também é comunicar.

Numa entrevista recente na revista Visão (5 de Maio)  a Jorge Calado, a propósito do lançamento do seu livro Haja Luz! Uma História da Química Através de Tudo:


Jorge Calado diz:

É o presidente nacional do Ano Internacional da Química. Qual o objectivo da comemoração?

Um deles é desmistificar os chavões à volta da Química. Tem coisas más? Sim. Mas também consegue resolver os problemas que cria. Está em tudo e interessa a todos. Há uma lado lúdico na Química, uma certa magia. Quer saber de que são feitas as coisas, mas também o que acontece quando se misturam duas substâncias. Podem aparecer coisas lindíssimas: um cheiro, cores, árvores de cristais. É um bom pretexto para brincar. Outro objectivo é realçar o papel da mulher. Faz cem anos que foi atribuído o Nobel da Química à Madame Curie - a primeira mulher a recebê-lo. Aqui esta é uma batalha ganha. Há mais mulheres do que homens em Química.

.......

Continua, no entanto, a haver um grande défice de cultura científica na sociedade portuguesa.

Esta deficiência não ocorre só entre a população pouco educada. Veja-se os políticos, por exemplo. A ignorância é uma coisa catastrófica. No mundo de hoje, cada vez mais as questões graves que se põem têm uma base científica. Quando as pessoas votam, devem saber como se posicionam os candidatos quanto a estes temas.
E há quem use a linguagem científica para falar em termos que ninguém percebe. E aí, quem ouve pensa "ah, este tipo sabe muito, nem eu o percebo". Não passar a mensagem é sintoma de ignorância. Por mais complicado que seja o assunto, é sempre possível explicá-lo. A função de um cientista também é comunicar.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Abraçar a Química por 365 dias. Porquê? Para quê?

E se o Mundo tentasse abraçar a Química por 365 dias. Faria alguma diferença?

Achamos que sim! E que cada contributo é importante.

terça-feira, 12 de julho de 2011

A água nos alimentos e na cozinha

Todos os nossos alimentos contêm água. Aqui vão alguns números que certamente o vão surpreender:

Alimento
% de água
Alimento
% de água
Tomates
95
Salmão (filete)
65
Couves, brócolos
92
Carne de vaca limpa
60
Cerveja
91
Queijo Gruyere
33
Cenouras
88
Pão
35
Leite
88
Mel
17
Clara de ovo
88
Manteiga
16
Maçãs
86
Farinha de trigo
12
Batatas
81
Massa alimentícia crua
10
Banana
75
Leite em pó
3

Já reparou a que corresponde numa batata?


Já alguma vez tinha pensado que a percentagem de água é bem maior num tomate do que no leite? E que na cenoura é idêntica à do leite? E não é surpreendente que, mesmo os alimentos que se nos apresentam com um aspecto totalmente seco, como é o caso da farinha, também contenham água? No que diz respeito a alimentos, apenas os óleos (azeite, óleos de amendoim, etc.) não contêm água alguma. Diz-se que são gorduras puras, por oposição à manteiga e à margarina, por exemplo, que contêm cerca de 16% de água, como pode ver no quadro.[1]



Para além disto, na cozinha a água está sempre ao nosso lado: como meio de limpeza (lavagem de recipientes, alimentos, mãos, bancadas, chão, etc.), como solvente e meio dispersante (ou seja para dissolver e dispersar muitos das substâncias que vão dar sabor, aroma e textura ao que comemos) e como meio de transferência de calor (em cozidos, estufados, etc.). É ainda o meio onde ocorrem reacções químicas que são processos normais quando cozinhamos e fundamentais para obter os pratos que tanto apreciamos. É também necessária para o desenvolvimento de micróbios, que por vezes nos podem ser muito úteis para produzir petiscos que tanto apreciamos e outras nos podem vir a dar grandes dores de cabeça...



[1]              Quando levamos manteiga ao lume a aquecer, ouve-se um crepitar, que corresponde à ebulição tumultuosa da água nelas contida.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Os prós e os contras da menor densidade do gelo

Dissemos há dias que a água sólida (gelo) é menos densa que a água líquida e que portanto uma pedra de gelo num copo de água vem sempre ao de cima.
 Em termos da natureza isto tem os seus prós e os seus contras. Por um lado, o facto do gelo ser menos denso do que a água significa que nas zonas geladas do nosso planeta, o mar, os rios e os lagos congelam à superfície mas mantêm-se líquidos nas camadas logo abaixo, permitindo assim a existência de vida – flora e fauna. 


Mas, por outro lado, em dias realmente frios, a água existente nas células dos vegetais pode congelar e, como o gelo ocupa um maior volume, isso pode levar ao rebentamento dessas células, tal como acontece com a garrafa de água. E isso é muito mau para as plantas e até pode levar à sua morte.
Este aumento de volume da água quando congela também tem consequências pouco agradáveis quando, por exemplo, congelamos um alimento. É que se a congelação for lenta e gradual, os cristais de gelo ficarão com uma dimensão relativamente grande e o aumento de volume associado à forma de agulhas, leva à rotura de estruturas celulares, alterando a textura do dito alimento. Na indústria alimentar há condições para se provocar uma congelação quase instantânea em que se formam cristais minúsculos, minimizando este problema.
A dimensão dos cristais de gelo é também muito importante quando se faz um gelado. Quanto mais pequenos forem esses cristais, mais macia e aveludada é a consistência dum gelado. Daí que não seja fácil fazer um bom sorvete sem um arrefecimento rápido e a ajuda duma sorveteira que, com a sua agitação constante, impede a formação de cristais de gelo grandes.

domingo, 10 de julho de 2011

sábado, 9 de julho de 2011

Também os micróbios não vivem sem água...

5. É indispensável para os micróbios
Tal como todos os seres vivos, os micróbios necessitam de água para viver. Mas nas nossas cozinhas há muitos que não são nada bons companheiros. A maioria pretende viver também dos nossos alimentos, provocando-lhes alterações ou produzindo neles substâncias que podem ser muito negativas para a nossa saúde. 


Daí que seja objectivo de quem cozinha criar condições para acabar com eles ou para lhe diminuir a actividade. O calor é um dos processos que usamos. Outro é limitar-lhes o acesso à água, impedindo que se desenvolvam, ou mesmo retirar água às células dos micróbios. Fazemos isso usando substâncias eficazes como seja o açúcar ou o sal.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

E como ferve?

4. Os 100oC da fervura ... 

Quando toda a água está no estado líquido, o calor fornecido faz com que a sua temperatura suba, até se atingirem os 100oC. Aqui, de novo, vai-se atingir um patamar como o que é mostrado no gráfico do post anterior, ou seja, a temperatura irá manter-se constante, apesar de se continuar a fornecer calor. 
Também neste caso a energia fornecida será usada para quebrar as ligações que existem entre as moléculas de água no estado líquido e as separar, ou seja, levar à mudança de estado líquido a gasoso. Quando toda a água estiver no estado gasoso, o calor fornecido vai de novo fazer com que a temperatura suba. 


Devido ao elevado número de interacções entre as moléculas de água (ligações de hidrogénio), é necessária muita energia (calor) para que essas muitas ligações vão sendo quebradas e a água entre em ebulição, ou seja, comece a ferver. 

Alguns aspectos práticos:
A água entra em ebulição a 100oC (à pressão normal) e até que toda a água passe a vapor a temperatura não se altera. Assim, mal a água comece a ferver é aconselhável baixar o lume,  uma vez que o lume alto só representará dispêndio desnecessário de energia e saída escusada de mais euros da sua algibeira.
Outra consequência da impossibilidade de a temperatura da água a ferver ir além dos 100oC é não podermos esperar uma carne dourada e muito aromática, nem umas batatas durinhas e quebradiças, se as cozermos. Isso só acontece a temperaturas superiores (acima dos 150oC), às quais podem ocorrer as reacções químicas conhecidas por reacções de caramelização e de Maillard.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Um comportamento pouco normal!

3. O gelo e o seu estranho comportamento


Observando o gráfico, pode ver-se que se tivermos água a uma temperatura inferior a 0oC, ela se encontra no estado sólido (gelo). Se lhe fornecermos calor (energia), a sua temperatura vai aumentando, até se atingir os 0oC. Chegando a este ponto, e durante um certo tempo, mesmo continuando a aquecer, a temperatura não aumenta, mantendo-se constante. Isto acontece porque a energia fornecida vai ser usada para quebrar as ligações que existem entre as moléculas no estado sólido e para as separar, ou seja, é usada para efectuar a mudança de estado de sólido a líquido. 
Já reparou que o gelo  é menos denso do que a água, e que por isso flutua em água líquida?  É um comportamento muito fora do vulgar. 

De facto, os sólidos são geralmente mais densos do que os líquidos dos quais provêm. Porquê? Porque quanto mais baixas são as temperaturas, menor é a agitação térmica das moléculas, mais fortes e duradouras são as ligações entre elas e mais próximas ficam. Daí que existam mais moléculas por unidade de volume e, portanto, maior será a densidade. Assim, a parte sólida em contacto com o líquido vai ao fundo. 

Ora com a água acontecem coisas mesmo “esquisitas”: à medida que a sua temperatura baixa até aos 4oC , aumenta, de facto, a sua densidade, mas se continuar a baixar, a densidade baixa de novo. Assim os 4oC são a temperatura a que a água é mais densa. Acima ou abaixo dela a densidade é inferior.
O facto de a água no estado sólido ser menos densa do que a água no estado líquido é explicado pelo tipo de ligações entre as moléculas de água que ocorrem quando esta solidifica – as ligações de hidrogénio. Estas mantêm as moléculas de água a uma certa distância umas das outras. Forma-se uma estrutura rígida com ligações relativamente fortes entre as moléculas, mas pouco compacta, com muitos espaços no meio.

.
Já aconteceu a quase toda a gente meter uma garrafa com água, bem cheiinha, no congelador e, ao tentar tirá-la, descobrir que ela rebentou. Pudera!, é que a água aumentou mesmo de volume, e a garrafa não conseguiu aguentar a pressão.