quarta-feira, 10 de abril de 2013

A Química dos Post-its



O episódio de hoje mostra-nos com um fracasso na investigação em química se pode tornar um sucesso e passar a fazer parte da nossa vida quotidiana.
Estão espalhados por todo o lado, colados nas portas, nos computadores, nos frigoríficos e até nas pessoas, e deixaram de ser apenas quadradinhos de papel amarelo para ganharem muitas formas e muitas cores: são os “Post-it”®, os papelinhos que colam e descolam.
A sua história começa em 1968 com uma empresa química que encorajava os seus funcionários a utilizarem 15% do seu tempo de trabalho para testarem ideias inovadoras. Um dos funcionários, um químico que trabalhava com polímeros, tentou produzir uma cola mais forte do que as existentes alterando as proporções na mistura de reagentes.
O que obteve foi um novo polímero adesivo que se organizava em pequenas esferas sobre uma superfície – em vez de a cobrir uniformemente – e que estava longe de ser uma cola forte: colava, mas descolava com a mesma facilidade! E voltava a colar… e a descolar!
Era interessante, era diferente… e completamente inútil. Quem é que quer colar a asa de uma caneca com uma cola que cola … e descola?
A cola falhada ficou sem uma aplicação realmente útil durante anos, até alguém sugerir o uso em marcadores de livros. Mas o sucesso não foi imediato, porque ninguém estava disposto a pagar por um montinho de papéis amarelo canário de utilidade duvidosa. A empresa decidiu então distribuir o produto gratuitamente, porta a porta na cidade americana de Richmond durante um ano. No ano seguinte já havia consumidores viciados… como eu (e aposto) você!
Hoje em dia são dos materiais de escritório mais vendidos no mundo. Um fracasso da química que veio facilitar o seu dia a dia!

Episódio da série A Química das Coisas

sexta-feira, 29 de março de 2013

Boa Páscoa

(Um postal de Páscoa que nos enviaram. Desconhecemos a fonte original, mas é de tal forma delicioso, que não resistimos a usá-lo para vos desejar uma doce Páscoa.) 

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

A Química do Amor




Num programa que desvenda a química escondida no nosso dia a dia, pode parecer-vos estranho falar de Amor, quase sempre celebrado como um fenómeno espiritual, por vezes apenas físico, mas raramente visto como resultado da ação de algumas substâncias químicas sobre o cérebro.
Sem querer diminuir aos vossos olhos a força e beleza de tão nobre sentimento, a verdade é que o “Amor” é um complexo fenómeno neurobiológico, baseado em atividades cerebrais que incluem o desejo, a confiança, o prazer e a recompensa e envolvem a ação de um número elevado de mensageiros químicos.
Quando duas pessoas estão apaixonadas, existe mesmo química entre elas: os cientistas já encontraram muitas relações diretas entre os compostos químicos que circulam no nosso sangue e atuam sobre o nosso cérebro e os nossos comportamentos nas diversas fases do Amor.
Numa primeira fase, o desejo sexual é despertado pela circulação das hormonas sexuais, iniciada na adolescência: a testosterona nos homens e o estrogénio nas mulheres.
A segunda fase é a fase da paixão, quando perdemos o apetite, não dormimos, e não pensamos senão na pessoa amada, pela ação de outro conjunto de compostos químicos que atuam no nosso cérebro, os neurotransmissores: a noradrenalina que acelera o bater do coração, a serotonina que nos torna obcecados, e a dopamina, que nos faz sentir felizes – e um pouco tolos – só com um sorriso ou olhar. Conseguem reconhecer os sintomas?
E porque ninguém consegue manter-se eternamente assim, passamos à terceira fase do Amor, a fase de ligação, garantida pela presença de duas hormonas que se libertam durante o ato sexual: a oxitocina – a chamada a hormona do carinho – e a vasopressina, cuja presença é aparentemente indispensável para garantir a fidelidade dos parceiros sexuais.
Estudos recentes dão também pistas sobre a forma de os homens aumentarem o interesse das suas parceiras femininas. Mas isso é algo que não vou revelar aqui…

Episódio da série A Química das Coisas

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

A Química das Tatuagens



Há quem goste e quem deteste, mas poucos lhes ficam indiferentes. As tatuagens são uma forma de afirmação individual e a sua popularidade tem crescido recentemente.
Conhecidas desde há mais de 5 mil anos, as tatuagens têm evoluído com tempo e começam agora a dar um passo decisivo de mudança, graças ao desenvolvimento da química: com as novas tintas removíveis, as tatuagens perdem a sua característica mais marcante – vão deixar de ser um compromisso para toda a vida.
As tintas para tatuagem são normalmente obtidas por suspensão de um corante num líquido apropriado: água, álcool, glicerina ou uma mistura destes. Os corantes variam muito na sua composição e os mais usados são relativamente inócuos. As tintas pretas são normalmente óxidos de carbono, enquanto as azuis são obtidas com sais de cobre ou óxidos de cobalto. O branco pode ser dióxido de titânio, óxido de zinco ou carbonato de chumbo. Estes compostos são estáveis sob a pele e a tatuagem é definitiva.
As tintas removíveis têm uma filosofia completamente diferente: são baseadas em corantes que podem ser absorvidos e degradados pelo organismo. O corante absorvível  é envolvido numa cápsula transparente que garante a sua permanência na pele, enquanto o dono da tatuagem assim o desejar.  A cápsula protetora é feita de um material sensível à luz, que se decompõe quando irradiado com um laser apropriado.
Deste modo, quando o feliz proprietário desta tatuagem decide removê-la, só tem de usar um laser adequado para degradar as cápsulas protetoras, libertando assim, as moléculas de corante. Estas são depois absorvidas e metabolizadas pelo organismo e em algumas horas a tatuagem desaparece sem deixar qualquer marca!
Um avanço importante para quem prefere o que é temporário e volúvel…

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Bolo Rei

Hoje é dia de Natal e a sugestão do Roteiro "Em Lisboa, à Descoberta da Ciência e da Tecnologia" do Pavilhão do Conhecimento - Ciência Viva, a última que lhe propomos, não podia deixar de ser o Bolo-Rei.
O bolo rei nasceu na Confeitaria Nacional, sendo a sua receita secreta seguida rigorosamente desde meados do séc. XIX. Foi inspirado no gâteau des rois, cuja receita, trazida de França pelo filho do fundador, foi modificada por vários mestres confeiteiros.
Sabia que em 1911, depois da proclamação da República, houve uma proposta em sessão parlamentar para alterar o seu nome para bolo república?
A massa do bolo rei é levedada por ação de um fermento que é um micróbio vivo - a levedura Saccharomyces cerevisae - identificada e estudada por Pasteur no séc. XIX. Num processo chamado fermentação, que ocorre na ausência de oxigénio, a levedura alimenta-se dos açúcares existentes na massa do bolo e produz o gás dióxido de carbono, responsável pela sua leve textura, etanol e muitas outras substâncias que conferem ao bolo um sabor e aroma de fazer crescer água na boca.

Tenham um Óptimo Natal