sexta-feira, 21 de Dezembro de 2012

A Química das Lentes de Contacto


O programa de hoje mostra a química escondida mesmo à frente dos nossos olhos… literalmente: a química das lentes de contacto!
As primeiras lentes de contacto eram umas desconfortáveis rodelas de vidro que cobriam grande parte do olho, podendo ser usadas apenas por algumas horas.
Aparecem depois as lentes de polímeros sintéticos – ou de plástico. Mais tarde, tornaram-se populares as lentes de poli-metilmetacrilato – que é como quem diz “acrílico”. Eram já mais pequenas, adaptadas apenas à córnea, mas eram muito rígidas, desconfortáveis e pouco estáveis. Era frequente ver os seus utilizadores de gatas a procurá-las pelo chão.
Este problema foi resolvido através de uma modificação química: o poli-metilmetacrilato foi substituído pelo poli-hidroxietilmetacrilato, um grande palavrão que significa um acrílico igualmente resistente e transparente, mas muito mais maleável.
Mas, não estava resolvido o que era então o principal problema das lentes de contacto: serem impermeáveis ao oxigénio.
A córnea não tem vasos sanguíneos, e portanto não é o sangue que fornece os nutrientes e o oxigénio às suas células. Os nutrientes são transportados pelo líquido lacrimal e pelo humor vítreo do interior do olho, enquanto o oxigénio chega às células da córnea diretamente através do contacto com o ar. Sendo totalmente impermeáveis ao oxigénio, as lentes de acrílico só podiam ser usadas por algumas horas.
Mais recentemente, os laboratórios químicos desenvolveram a solução para este problema: o hidrogel, um material gelatinoso formado por uma rede de polímeros insolúveis que contém grandes quantidades de água. Este material altamente hidratado é bastante confortável para os olhos e, sobretudo, é permeável ao oxigénio do ar. Deste modo, as lentes de contacto atuais já podem ser utilizadas por longos períodos.
Longos períodos com a química mesmo à frente dos olhos!

Episódio da série A Química das Coisas

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