sábado, 9 de abril de 2011

As moléculas quirais estão na base dos processos da Vida!

A maior parte dos compostos constituintes dos organismos vivos são moléculas quirais. Em geral a natureza produz apenas um dos enantiómeros. 
De facto as coisas ainda são mais complicadas, numa molécula podem existir várias zonas que  induzem quiralidade (os centros quirais) e combinando-se de forma diferente (de uma dada forma, ou a sua imagem no espelho) a variedade de moléculas possíveis ainda é maior - os químicos chamam-lhes estereoisómeros (moléculas em que os átomos estão ligados uns aos outros da mesma forma, variando apenas a sua distribuição tridimensional). 
Por exemplo o colesterol, um esteróide importante nos animais (não, não é mau, desde que na quantidade certa), tem 8 centros quirais, o que significa que existem 256 estereoisómeros possíveis para este composto.

Destes as natureza produz apenas um. Não importa qual o organismo que se considere, o isómero produzido é sempre o mesmo. 
A razão para isto é a seguinte, nos organismo vivos as moléculas reagem umas com as outras e quase todas as reacções são catalizadas por enzimas. As enzimas são proteínas e são moléculas quirais com cavidades quirais. Assim, só um dos esteroisómeros  “encaixa” na cavidade para reagir e pela mesma razão só um dos esteroisómeros é formado nas reacções.  


Não é assim de estranhar que nos organismos vivos as propriedades dos enantiómeros sejam completamente diferentes. A D-glucose (um açúcar) é doce e nutritiva e é um componente importante da nossa dieta. No entanto o seu enantiómero, chamado L-glucose, não tem gosto e não é metabolizado pelo organismo. 
Estas substâncias têm diferentes gostos, pois o gosto resulta da interacção entre uma molécula quiral e um receptor quiral nas papilas gustativas da língua. Assim, apenas um dos enantiómeros “encaixa” no receptor e desencadeia o impulso nervoso que nos dá a sensação de gosto.

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