domingo, 23 de janeiro de 2011

Ponham-nos as vossas Questões

Como já devem ter percebido, achamos a Química verdadeiramente Irresistível. 

Conseguir compreender, com base no conhecimento químico, alguns aspectos da Vida é algo que consideramos fascinante. Mas as coisas que fazem parte do nosso quotidiano, por vezes tornam-se quase banais e nem pensamos muito nelas. Quando alguém nos faz pensar... é sempre uma alegria!

Gostávamos que nos pusessem as vossas questões, que nos permitissem partilhar convosco algumas coisas em que já pensámos, que nos obrigassem a pensar e estudar outras.

Lancem-nos desafios! 
Ponham-nos as vossas questões!

A Descoberta da Penicilina

A Química tem a fama de ter criado um grande número de novos produtos químicos que, na sua maioria, são prejudiciais à saúde do homem ou do planeta. No entanto a variedade de produtos químicos presentes na natureza é espantosa na diversidade e no número. Uns são “benéficos” para o homem e outros ”prejudiciais”.

A penicilina foi descoberta em 1928 por Alexander Fleming quando se esqueceu de algumas placas com culturas de microrganismos no seu laboratório no Hospital St. Mary em Londres. Quando reparou, uma das suas culturas de Staphylococcus (uma bactéria) tinha sido contaminada por um bolor, e em volta das colónias do bolor não havia bactérias. Fleming identificou o bolor como um fungo do género Penicillium, e demonstrou que o fungo produzia uma substância responsável pelo efeito bactericida: a penicilina. 

Este produto químico foi obtido puro por Howard Florey e Ernst Chain da Universidade de Oxford, muitos anos depois, em 1940. As suas qualidades antibióticas foram testadas em ratos infectados, assim como a sua não-toxicidade. Em 1941, os seus efeitos foram demonstrados em humanos. O primeiro homem a ser tratado com penicilina foi um agente da polícia que sofria de septicémia com abcessos disseminados, uma condição que na época era geralmente fatal. Ele melhorou bastante após a administração do fármaco, mas veio a falecer quando as reservas iniciais de penicilina se esgotaram. A penicilina salvou milhares de vidas de soldados dos aliados na Segunda Guerra Mundial. 


Apesar de os enormes esforços desenvolvidos durante a Segunda Guerra Mundial para a produção em larga escala deste medicamento, a sua estrutura só foi completamente elucidada em 1956 e os produtos usados até aí resultavam do isolamento do antibiótico a partir de culturas do fungo sem que o arranjo espacial dos átomos presentes fosse completamente conhecido. 

Na realidade não existe uma penicilina mas uma família de compostos como o mesmo núcleo central e uma cadeia lateral variável.


A descoberta desse arranjo espacial contribuiu para um novo salto na utilização dos antibióticos pelo homem. Durante muito tempo, o capítulo que a penicilina abriu na história da Medicina parecia prometer o fim das doenças infecciosas de origem bacteriana como causa de mortalidade humana o que se veio a verificar não ser possível.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Uma vida mais colorida

Na natureza há seres vivos com as mais variadas cores. Isto acontece devido a terem certas substâncias que lhes dão cor.
Até há cerca de 150 anos as pessoas dependiam das substâncias coradas que obtinham de animais, plantas e minerais para corar tecidos e outras coisas, e também para pintar. Algumas cores eram muito difíceis de obter e os corantes resultantes extremamente caros.  Por isso só pessoas importantes e com muito dinheiro podiam usar roupas com elas coradas.

O desenvolvimento da química permitiu que se obtenham substâncias corantes que não são caras, e agora temos a possibilidade de viver num mundo mais colorido.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

O útil mas perigoso celulóide

A descoberta do nitrato de celulose teve ainda uma outra aplicação importante. No final do século XIX (1863) a caça aos elefantes para lhes retirar os dentes tinha-se transformado num problema sério e havia o risco do desaparecimento dos elefantes. O marfim, um produto de luxo, usado para jóias, ornamentos, teclas de pianos, e vários outros objectos estava a tornar-se raro e caro. Uma empresa americana que fabricava bolas de bilhar de marfim ofereceu 10.000 dólares a quem descobrisse um substituto para o marfim. John Hyatt, um tipógrafo de Nova Iorque, aceitou o desafio e recebeu o prémio. Ao combinar cânfora com celulose levemente nitrada (muito menos do que o algodão pólvora) obteve um plástico tão  semelhante ao marfim que ficou conhecido por marfim artificial ou celulóide.
No entanto as bolas de bilhar demonstraram ser demasiado quebradiças para serem úteis, mas o plástico foi útil para fazer dentaduras, filmes fotográficos e de cinema, vidros para automóveis, revestimentos como verniz, cabos de escovas e facas, colarinhos, bolas de ping-pong, bonecas, estatuetas... e até cascas de tartaruga artificiais. 


O maior defeito deste material era a sua inflamabilidade. Por exemplo, os filmes muitas vezes inflamavam-se com o calor dos projectores provocando frequentemente incêndios em salas de cinema (como se pode ver no filem Cinema Paradiso de Giusepe Tornatore). 


Assim em arquivos e museus as películas de nitrato de celulose têm que ser armazenadas em atmosferas sem oxigénio e em contentores à  prova de fogo. 

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Algodão Pólvora


Alguns trabalhos e invenções em química são planeados de forma racional, noutros casos são fruto do acaso. Embora estas situações continuem a acontecer, eram bem mais frequentes quando os conhecimentos de química eram mais reduzidos. Um exemplo de uma descoberta fruto do acaso é o  algodão pólvora - um explosivo.
Em 1846 um professor de química suíço, Christian Schoenbein, acidentalmente descobriu o algodão pólvora ao entornar uma mistura de ácido nítrico e ácido sulfúrico na cozinha da sua casa. Limpou a mistura de ácidos com um avental de algodão da sua mulher, passou-o por água e pendurou-o perto do forno. Ao secar ele desapareceu em chamas. Estudou o que se tinha passado e descobriu que ao tratar a celulose (o principal componente do algodão) com uma mistura de ácido nítrico e ácido sulfúrico esta era transformada em nitrato de celulose, ou nitrocelulose.
Assim inventou o algodão pólvora muito superior em propriedades à pólvora usada então. De facto ao arder o algodão pólvora não produz fumo, ao contrário da pólvora. Por esta razão o algodão pólvora adquiriu uma grande importância para usos militares. 


 (imagens retiradas de: http://www.nzetc.org/tm/scholarly/tei-WH1-Sina-t1-body-d4-d4.html)

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Vamos mudar a cor dos ovos


Corar ovos e decorá-los é uma tradição de Páscoa muito antiga. Hoje apresentamos uma forma muito simples de o fazer – com cascas de cebola.
Se desejar os ovos mais escuro, escolha cebolas com a pele mais escura. Se os quiser mais douradinhos, escolha cebolas mais claras. A cor final também vai depender da quantidade de casca que usar.

6 ovos
3 cebolas
1 tacho

1 - Retire a casca das cebolas (só a parte escura e seca, que parece papel) e ponha num tacho com cerca de meio litro de água.
2 – Leve ao lume e deixe ferver durante aproximadamente 20 minutos. A água do tacho deve ficar com cor.
3 – Deixe arrefecer a água com as cascas dentro.
4 – Retire as cascas das cebolas.
5 – Com muito cuidado ponha os ovos dentro do tacho e leve ao lume. Quando a água começar a ferver, ponha o lume baixinho e deixe cozer 10 minutos.
6 – Retire os ovos da água e deixe arrefecer. 



Porque é que os ovos mudam de cor?
Na natureza há seres vivos com as mais variadas cores. Isto acontece devido a terem certas substâncias que lhes dão cor.
Na casca da cebola também há uma substância que lhe dá a cor, chama-se quercetina. Quando se fervem as cascas de cebola em água parte desta substância vai passar para a água. Depois, quando os ovos são cozidos na água corada, ela vai dar cor às cascas dos ovos.
A quercetina também tem propriedades medicinais. Algumas pessoas até usam  chá de cascas de cebola (a que juntam limão e açúcar ou mel)  para ajudar a curar problemas de garganta como a rouquidão e as inflamações.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

As cores do camarão...

Já reparou que os camarões crus têm uma cor bem diferente dos camarões cozidos?

O que se passa é que os camarões contêm um pigmento - a astaxantina – que, quando o camarão está cru, se encontra enrolado numa proteína. Assim, a luz não o alcança e não confere cor ao camarão. Mas quando se aplica calor, essa proteína muda de forma (diz-se que se desnatura), a astaxantina fica exposta à luz e passa a conferir a cor rosa característica do camarão cozido.