Todos sabemos a importância de uma boa noite de sono. O que nem todos
sabem é que alternância entre o dormir e estar acordado resulta da ação
combinada de diversas substâncias químicas no nosso cérebro.
E entre as mais importantes estão a adenosina e a melatonina, duas substâncias com um papel muito ativo na regulação do sono.
A adenosina é um produto secundário do consumo de energia pelo corpo.
Os cientistas pensam que a ela se vai acumulando no nosso corpo ao
longo do dia, gerando a sensação de cansaço e sonolência que marca o
início do processo do sono, sendo depois removida enquanto dormimos,
para acordarmos frescos como alfaces! É por isso que adormecemos mais
facilmente depois de um dia cansativo e porque nos sentimos cansados
quando não dormimos o suficiente!
Um dos mais fortes indícios deste papel da adenosina, é a sua
competição com a cafeína. A cafeína liga-se aos mesmos recetores do
cérebro que a adenosina, impedindo-a de atuar, o que explica porque é
que a cafeína pode impedir-nos de adormecer. Imagine que colocamos
pastilha elástica numa fechadura cuja chave é a adenosina; acabamos por
conseguir abrir a porta, mas só depois de umas horas a limpar a
fechadura.
A melatonina, por seu lado, é uma hormona produzida pela glândula
pineal, uma estrutura no interior do cérebro. A presença de melatonina
no cérebro inibe o estado de alerta e contribui para que o sono se
instale.
A produção de melatonina é extremamente sensível à luz: é estimulada
pelo aproximar da noite, mas é inibida logo que a retina deteta luz. A
mais pequena luminosidade já reduz a produção de melatonina, o que
explica porque começamos a acordar quando o sol nasce, ou porque há
pessoas que só conseguem adormecer em completa escuridão.
Da arte caseira de fazer refrescos surgiu o capilé! Tão antigo é, que a
sua receita surge no Cozinheiro Moderno, de 1780. O capilé é feito a
partir de xarope de avenca, um pequeno feto herbáceo, a que se adiciona
água, gelo e casca de limão. Por sua vez, para se obter o xarope, faz-se
uma infusão de folhas de avenca picadas em água, adiciona-se açúcar e
leva-se ao lume até atingir o ponto desejado. Finalmente aromatiza-se
com água de flor de laranjeira. O objetivo da infusão é extrair da
planta as moléculas das substâncias que lhe conferem aroma e
propriedades terapêuticas. As folhas são picadas para destruir a sua
estrutura celular e tornar mais fácil e eficiente a penetração da água e
a extração. O açúcar conserva o extrato, impedindo o desenvolvimento de
microrganismos. Apesar de já saber a receita, vale sempre a pena
descobrir o sabor do capilé num dos belíssimos e renovados quiosques de
Lisboa como o da Praça das Flores ou do Príncipe Real.
Todos os anos, de abril a setembro, é possível encontrar nos
restaurantes de toda a cidade letreiros que dizem “Há caracóis”. Os
lisboetas gostam de petiscos e, entre estes, os caracóis têm um lugar de
eleição, acompanhados por uma fresca cerveja. Estes moluscos são
consumidos pelo Homem desde o Paleolítico. De facto, são uma presa
fácil, já que se deslocam a uma velocidade de cerca de 5 metros por
hora. No entanto, a razão principal para o seu consumo deve-se ao facto
de serem um alimento muito nutritivo, rico em proteínas (aproximadamente
16%) e sais minerais como o cálcio, ferro, magnésio, zinco e cobre. Os
caracóis têm também a grande vantagem de serem de digestão fácil e muito
pouco calóricos, pois o seu teor de gordura e hidratos de carbono é
muito reduzido. Numa tarde de verão aproveite para fazer uma pausa e
deleitar-se com um dos sabores mais típicos da cidade.