domingo, 24 de julho de 2011

A Química na Arte XIII



Os mensageiros
Tríptico, óleo sobre tela, cada 80x80cm

Leonilde Moreira


Estas telas inspiram-se em imagens obtidas quando se quantificam os RNA mensageiros presentes em células/organismos usando microarrays de DNA. Cada quadrado representa um gene. As tonalidades escuras representam genes que estão "inactivos". As tonalidades verde, amarelo, vermelho, indicam genes "activos" para os quais é possível medir os níveis de mensageiros.

sábado, 23 de julho de 2011

O Colesterol não é tão mau como o pintam!

O esteróide mais abundante no corpo humano, e o mais importante é o colesterol.

É um componente fundamental das membranas celulares e é ainda o composto a partir do qual o nosso organismo sintetiza outros compostos, tais como as hormonas sexuais, os ácidos biliares e a vitamina D.

Devido a se ter estabelecido uma correlação entre níveis altos de colesterol no sangue e a ocorrência de doenças como a aterosclerose, muitas pessoas vêem o colesterol quase como que um veneno. No entanto, o colesterol não só não é um veneno, como é mesmo essencial para a vida humana. Sem ele, nós morreríamos. Felizmente é difícil tal acontecer, pois, mesmo que o colesterol fosse completamente eliminado da dieta, o nosso fígado produziria suficiente para as necessidades do nosso organismo. 

É sensato ter cuidado para que os níveis de colesterol no sangue não ultrapassem valores considerados normais, mas que ele não é apenas o "mau da fita", isso não é! Muito do colesterol ingerido e produzido pelo fígado é usado pelo organismo para produzir outras moléculas indispensáveis para o seu bom funcionamento. Façamos-lhe justiça, pois sem ele não vivíamos!

quinta-feira, 21 de julho de 2011

A Beleza da Química


Cheire uma flor - o aroma é química; veja uma flor - as cores são química; toque numa flor - a estrutura delicada das pétalas é química.

(Frase adaptada de:  Chemistry in our community)

terça-feira, 19 de julho de 2011

Fatos de banho que batem recordes

Durante os Jogos Olímpicos de Pequim em 2008 foram batidos 14 recordes mundiais na natação. Em todos os casos, excepto num deles, os nadadores usavam fatos de banho especiais cujo desenvolvimento envolvia a integração de um conjunto de conhecimento teórico de mecânica dos fluidos, ciência dos materiais, fisiologia e psicologia.

Tal levou a que se compreendesse a importância decisiva do fato de banho na performance do nadador e se investisse ainda mais no seu aperfeiçoamento. De tal forma que, em consequência desse desenvolvimento, poucos meses depois, no Campeonato Mundial de 2009 em Roma, se voltaram a bater uma série de recordes mundiais.

Há dois aspectos importantes na forma de actuar destes fatos de banho - a influência na postura e na resistência ao movimento.

Os fatos de banho são fabricado com um material extremamente compressivo que mantém o nadador numa postura hidrodinâmica ideal. Como o nadador não precisa de usar os seus músculos para manter essa postura, pode direcionar mais da sua energia para a sua propulsão através da água. Essa compressão do processo, por outro lado, também reduz a quantidade de água que fica presa no fato de banho e a "oscilação" da pele, factores estes que contribuem para aumentar a resistência à deslocação na água.

O material de que são fabricados os fatos de banho é ainda muito hidrofóbico (repele a água) isto faz com que flutuabilidade aumente e diminui ainda mais a resistência ao movimento.

O desenvolvimento destes fatos de banho exigiu a integração de conhecimento de várias áreas da ciência, em que a química teve certamente um papel muito importante no desenvolvimento dos materiais utilizados.

(imagem DAQUI )

Em consequência da utilização destes "super - fatos de banho " em 18 meses bateram-se 135 recordes mundiais de natação.Por isso o seu uso começou a causar alguma polémica e discute-se a hipótese de os proibir em competição.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Por vezes a química permite melhorar o que a natureza nos dá


Na figura está uma pintura a óleo de 1614 do pintor holandês Govaert Flinck. Na situação representada, só a parte da direita está envernizada . tendo para isso sido usado como verniz uma resina natural.


Nesta imagem a pintura já está completamente envernizada, só que para envernizar a metade esquerda foi usada uma resina sintética. Esta decisão foi tomada com objectivos bem determinados.

A pintura inicialmente foi certamente envernizada pelo seu autor com uma resina natural, o objectivo não seria tanto a protecção, mas mais fazer com que as cores ficassem mais saturadas, a pintura ficasse mais escura e mais brilhante. Infelizmente, ao longo do tempo, o verniz deteriorou-se  - tornou-se mais amarelado, rachou e ficou mais nebuloso. Por outro lado, por causa da oxidação e outras reações químicas, o verniz ficou mais insolúveis e difícil de remover em trabalhos de conservação.
 

Reaplicar um verniz natural só iria repetir o ciclo de degradação, pois o revestimento voltaria a deteriorar-se com a idade. Este era um problema comum nos trabahos de conservação, cuja resolução envolveu o trabalho de químicos que desenvolveram e testaram novos materiais que ajudem os conservadores a preservar obras de arte.

Há várias décadas, a indústria química criou uma infinidade de polímeros sintéticos que ficaram amplamente disponível e que se acreditava serem mais estáveis ​​do que as resinas naturais. Alguns destes foram usados por conservadores no seu trabalho antes de haver uma boa compreensão científica da forma como essas  resinas sintéticas funcionariam com materiais de arte e se comportatiam ao longo do tempo. Acabou por se concluir que muitas delas também estavam sujetas a processos auto-oxidativos e outras reacções que faziam com que ao longo do tempo fosse cada vez mais difícil removê-las. Anos mais tarde foram desenvolvidas outras resinas que não tinham este problema, mas também não tinham tão boas característica ópticas como as resinas naturais. 


Seguiu-se então uma nova linha de investigação em que o objectivo principal era produzir resinas de baixa viscosidade e baixo peso molecular, como é o caso das resinas naturais, e que tivessem as vantagens destas, mas não os seus inconvenientes. Finalmente tal foi aparentemente conseguido.com a vantagem da resina sintética obtida ser ainda solúvel em solventes menos tóxicos que a natural e assim melhorar o trabalho dos conservadores.
 
Numa colaboração entre o responsável pelo desenvolvimento desta resina - E René de la Rie, cientista do Metropolitan Museum of Art de New York - e Mark Leonard, responsável pela conservação de pinturas do J. Paul Getty Museum em Los Angeles, foi decidido fazer uma experiência com a pintura de Flinck acima. Metade dela foi envernizada com a resina natural e a outra metade com a resina sintética desenvolvida por de la Rie, de forma a comparar as propriedades ópticas e o comportamento com o envelhecimento das duas resinas.

Depois da aplicação as duas resinas tinham aparências tão idênticas que vários conservadores não conseguiram distinguir uma resina da outra.

Fonte: http://pubs.acs.org/cen/coverstory/7931/7931art.html