quarta-feira, 29 de junho de 2011

O mistério dos bombons com recheios cremosos



Nos bombons com recheios cremosos é a proporção relativa de cristais de açúcar não dissolvidos e solução de açúcar (xarope) que controla a textura do recheio. Mas é difícil selar o recheio cremoso dentro do bombom.

Para ultrapassar este problema usa-se um recheio espesso e moldável formado de sacarose finamente moída suspensa numa quantidade mínima de xarope de glucose, a que se juntam corantes e aromatizantes e um pouco da enzima invertase.

É esta pasta que é coberta com chocolate para fabricar os bombons. Estes são depois armazenados durante algum tempo, até que o recheio adquira a consistência desejada. Durante o tempo de armazenamento a enzima invertase vai transformando a sacarose nos dois açúcares que ao unirem-se a formam - a glucose e a frutose, a mistura destes é mais solúvel e o recheio fica mais cremoso.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Adesivos para papel

Pastas feitas com farinha foram durante muito tempo usadas como adesivo para papel e em trabalhos de encadernação. Contudo, as pastas de amido são agora preferidas. Estas são também usadas na conservação de documentos de papel.


Uma das razões porque se preferem pastas de amido, relativamente a pastas de farinha, tem a ver com a composição desta. A farinha, além de um teor de amido de cerca de 75 % e de cerca de 10% de água, tem cerca de 10% de proteínas e outros compostos que existem em menor quantidade. As proteínas modificam as características das pastas e dos filmes formados quando usadas como adesivo.  
Contudo, os adesivos à base de amido têm o inconveniente de serem um bom meio para crescimento de fungos. E por isso, em muitas aplicações, são subtituídos por adesivos que não tem este inconveniente e que têm características estruturais e propriedades que os tornam particularmente indicados para determinados tipos de utilização, são os adesivos compostos por materiais sintéticos.  
De entre os polímeros sintéticos usados pode referir-se um que é bastante usado na encadernação de livros, para além de outras aplicações, o poli(etileno/acetato de vinilo):




segunda-feira, 27 de junho de 2011

domingo, 26 de junho de 2011

A Química na Arte IX




A minha serotonina
Grés vidrado, 1100ºC, 46x36x16 cm

Helena Abrantes


A serotonina é um neurotransmissor, uma molécula envolvida na comunicação entre neurónios. Esta molécula aparenta ter diversas funções, como o controle da libertação de algumas hormonas e a regulação do ritmo circadiano, do sono e do apetite. Drogas como o "Ecstasy" e o LSD "mimetizam" alguns dos efeitos da serotonina em células alvo. O Ecstasy promove a libertação maciça de serotonina e posterior depleção da mesma. A concentração deste neurotransmissor está relacionada com a sensação de euforia e relaxamento e, em geral, os indivíduos deprimidos têm níveis baixos de serotonina no sistema nervoso central. 
Um dos aspectos que contribui para tornar a serotonina tão especial é a imensa variedade de funções a que está ligada. Actua no desempenho motor de músculos e vísceras, na regulação dos sistemas cardiorrespiratório e endócrino, na regulação da temperatura corporal, na percepção sensorial, na aprendizagem, na memória, no comportamento alimentar e sexual e mesmo em estados psíquicos como o humor, o vício e a depressão.
Longe do olhar científico, mas perto das formas e das cores, a minha "serotonina" é a alegria, a felicidade interior, a capacidade natural de se ser feliz.
Agora representada sob a forma de objecto decorativo é a molécula divertida!




Cinamaldeído - Abordagem pictórico-olfativa
grés vidrado, 1100ºC, 62x38x15 cm

João Paulo Noronha


Representação escultórica de uma molécula. O trans-Cinamaldeído (sabor e cheiro da canela, Cinnamomum sp.) C9H8O (trans-3-Fenilpropenaldeído) - Composto orgânico de estrutura aromática conjugada. A ligação dupla conjugada torna a geometria do composto planar. Representação rigorosa de um sistema conjugado numa vertente pedagógica.

sábado, 25 de junho de 2011

Os Nanoputianos III

Um casal de nanoputianos a dançar:


Um polímero nanoputiano (ou um grupo de amigos nanoputianos de mão dada?)

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Os Nanoputianos II

Temos que concordar que algumas destas criaturinhas são bem divertidas...

Os Nanoprofissionais:

J. Org. Chem., 2003, 68 (23),  8750-8766


Ou usando outro tipo de representação

 J. Chem. Ed. 2003, 80, 395-400

(clique nas imagens para ver maior)


quinta-feira, 23 de junho de 2011

Os Nanoputianos I

Há já algum tempo referimos que uma das tarefas a que os químicos orgânicos se dedicam é à síntese de novos compostos. Na altura dissemos que são vários os objectivos que podem motivar a escolha das moléculas a sintetizar:
i) A obtenção de grandes quantidades de compostos que são muito raros na natureza.
ii) Disponibilizar compostos que não ocorrem naturalmente, mas que têm propriedades físicas ou químicas que os tornam muito úteis (plásticos, medicamentos, detergentes...).
iii) Síntese de compostos desconhecidos para estudar as suas propriedades ou testar uma dada teoria.
iv) Puro desfio intelectual – para fabricar compostos que a teoria prevê que não podem existir, que ninguém conseguiu ainda sintetizar ou que têm características estruturais únicas.

Pensamos que o trabalho seguinte se pode incluir nesta última categoria. A principal motivação é o facto dos compostos terem características estruturais únicas, mas com algum sentido de humor... A idéia foi sintetizar moléculas antropomórficas, ou seja, com estruturas que lembrassem o corpo humano. O conjunto de moléculas foi designado, pelos seus criadores, por Nanoputianos e o trabalho foi publicado em 2003 no Journal of Organic Chemistry:

Amanhã damos-lhe a conhecer mais alguns representantes deste "nanopovo".